Na semana passada eu participei de um debate online interessante sobre se os empreendedores brasileiros deveriam tentar criar os seus próprios sites inovadores ou copiar os sites de sucesso estrangeiros.
Pontos válidos foram
levantados por ambos os lados e todas as partes apresentaram
argumentos convincentes.
Isto posto, eu continuo
firme na minha crença de que os empreendedores brasileiros deveriam aspirar
a criar seus próprios sites inovadores, ao invés de copiar sites
estrangeiros de sucesso.
Onde os meus dignos
opositores e eu concordamos, porém, é que existem obstáculos reais para a
criação de sites inovadores no Brasil.
Embora existam muitos
obstáculos, o maior obstáculo, em minha opinião, é psicológico.
Ninguém no Brasil
jamais conseguiu criar um site com alcance global. Por isso, nas mentes de
muitos empreendedores (e venture capitalists), tal fato seria impossível.
Claro, existem sucessos
como o site Buscape, que foi comprado no ano passado pela Naspers por US$ 342
milhões, mas o Buscape é amplamente focado no mercado interno.
Onde estão os sites
brasileiros que se tornarão sucessos mundiais, como Twitter, Facebook, e
Google?
Ao pensar sobre esse problema,
lembro-me do famoso caso da four minute mile – uma milha em quatro minutos.
Durante anos, as
pessoas acreditavam que era fisicamente impossível correr uma milha (1609
metros) em menos de quatro minutos.
Então, um dia, em 6 de
maio de 1954, em um encontro de atletismo entre a British AAA e
a Universidade de Oxford, um homem chamado Roger Bannister correu
uma milha em 3 minutos e 59,4 segundos.
Três anos após a
realização épica de Roger Bannister, 16 outros corredores conseguiram correr
uma milha em menos de quatro minutos.
A barreira psicológica,
que impediu que outros atletas talentosos alcançassem o seu pleno potencial,
foi quebrada.
Isso é o que precisamos
no Brasil.
Precisamos quebrar nossa
four minute mile.
Uma vez que um site
brasileiro sair de uma startup para o sucesso global, não tenho dúvidas de que
haverá vários outros sucessos.
Simon,
Essa analogia da milha em 4 minutos é fantástica!
Se tudo der certo, em pouco tempo um grupo de jovens engenheiros vai percorrer essa 1 milha em menos de 4 minutos, e com mais de um projeto. :)
É só uma questão de tempo, muito trabalho e continuar ouvindo o que o mercado tem a dizer.
Abração!
Posted by: Millor Machado | April 05, 2010 at 11:16 PM
Oi Millor!
Muito obrigado!
To torcindo para voces!
Um abraco,
Simon :)
Posted by: simonolson | April 06, 2010 at 12:46 AM
Continua show de bola seu blog. Gostei da analogia com "1 milha em menos de 4 minutos" e acredito que em breve teremos mais exemplos da capacidade do empreendedor brasileiro.
Exportação de talentos brasileiros levou o Brasil a perder grande empreendedores. Não é díficil encontrar gênios brasileiros trabalhando nas grandes empresas de tecnologia... no entanto eles abriram mão de criar uma startup em troca de um excelente emprego.
O que está acontecendo é que o mercado está mudando. O Brasil está se tornando uma potência econômica mundial. É questão de poucos anos para termos grandes talentos trocando oportunidade no Google e Facebook para empreenderem no mercado Brasileiro.... Esse é meu palpite!
Abração
Posted by: Eric Santos | April 06, 2010 at 02:00 AM
Oi Simon,
Fico feliz que esteja na torcida. Pode ter certeza que esse é um ótimo apoio.
Escrevi um artigo falando sobre minha visão sobre o empreendedorismo brasileiro, queria saber o que você acha: http://www.saiadolugar.com.br/2010/03/24/empreendedorismo-no-brasil-uma-visao-otimista
Abraços!
Posted by: Millor Machado | April 08, 2010 at 10:20 PM
Oi Simon,
Acredito que parte do problema seja psicológico mesmo, já que culturalmente somos ensinados a sermos empregados. E mesmo quando rompemos a barreira para empreender, ainda precisamos de justificativas para aquilo que estamos fazendo. Inovar ou mudar o mundo geralmente é visto como aventura e não como um propósito de vida.
E eu acredito que por termos poucos casos de sucesso na web/tecnologia brasileira acabamos nos espelhando muito mais nos modelos internacionais em busca desta justificativa para nós mesmos e para aqueles que nos cercam. Sendo muito mais "fácil" de se explicar o que se faz comparando com algo que já é sucesso lá fora.
Vendo seus comentários tanto no post do Yuri quando na versão em inglês deste, percebo que concordo com quase tudo o que diz, porém me parece que você está um pouco a frente da realidade que vejo na maioria das startups brasileiras. Admiro demais a visão do Yuri por buscar um forma de vencer parte deste abismo que ainda temos.
Espero, e acredito, que em pouco tempo nossa realidade estará bem próxima da que você defende. Mas ainda vejo a necessidade de um amadurecimento maior de nossa cultura empreendedora.
Parabéns pelo seu trabalho.
Abraços.
Posted by: Maurilio Alberone | April 10, 2010 at 01:32 PM
Oi Maurilio!
Nossa! Muito obrigado pela comentario excelente e desculpe a demora em te responder!
Eu to mudando para um novo apartmento e tinha uma casamento no Sabado, entao nao tinha o tempo responder no final de semana.
Bem, eu concordo com tudo que voce falo.
Seu comentario me lembra de varios vezes quando nos fomos contratando gente trabalhar no Power.
Foi muito dificil porque os pais nao tava querendo deixar os filhos trabalhar numa empresa startup.
E igual voce falo, trabalhar numa empresa startup nao e conhecida como uma boa opcao.
No caso de Power, as pais tava querendo os filhos ser professores, fazer concurso publico, e ate faz parte de exercio, inves de trabalar numa empresa startup!
Concordo tambem com seu comentario que eu to um pouco en frente de a realidade Brasileira, mas alguem precisa comeca a luta! ;)
Um abraco,
Simon
Posted by: simonolson | April 12, 2010 at 10:34 PM